Deus é testemunha
O Espelho Quebrado
Um laço feito de areia e de sol nascente,
Vestido em seda e promessas de verão.
Tudo parecia eterno a flutuar na minha imaginação.
No doce engano do teu coração cruel.
Dizeres macios e doces, o olhar angelical.
Fez-me beber o cálice da quimera,
E eu, tola, dei-te a alma que era minha,
Julgando achar a paz que o peito espera.
Mas o verniz brilhou por pouco tempo,
E a maquiagem das almas gêmeas desfez-se em pó.
O teu amor era só um contratempo, um aventura que poderias lucrar .
Um palco vazio, um triste dó.
Eras um ator perfeito no papel,
De um sentimento que nunca sentiste,
E a cada beijo, com sabor de fel,
A minha fé em ti mais diminuía e resistia.
A máscara caiu num dia quente,
Quando a verdade, nua, me atingiu.
O castelo de cartas, ao fio,
Desmoronou-se, e o amor mentiu.
Não havia fogo, era só fumaça,
Não havia essência, apenas forma e pose.
Foste a mais fria e cruel trapaça,
Uma perfeita, calculada, falsa rosa.
Guardo as lições e atiro o teu fantasma,
Aos ventos longos, que o levem para longe.
Curo esta dor, esta ferida, este plasma,
Deste amor que não passou de uma miragem.
O coração, ferido, mas aprendeu,
Que a falsidade tem um rosto lindo.
O falso amor morreu, e eu revivi.
E a vida espera, o sol já está surgindo só que dessa vez sem deixar de escanteio aquele amor que nunca imaginaria ser o verdadeiro. E assim a vida continua firme e forte e sem farsas.
